Resumen

Quando especialistas do mundo todo são convidados a refletir sobre «a televisão que queremos», não podemos deixar de pensar, mais uma vez, na peculiaridade da televisão brasileira, criadaem1950, graças aos esforços de Assis Chateaubriand, e largamente difundida a partir de 1965, com a fundação da Rede Globo, que se transformou em verdadeiro fenômeno de comunicação de massa, capaz de contribuir para a formação de uma identidade nacional suplantando os interesses do capital privado. Sem deixar de considerar todas as críticas que a televisão aberta e comercial no Brasil possa merecer, não podemos, no entanto, negar o seu papel na compreensão e apreensão de uma «TV de qualidade». Nela encontramos, com efeito, o sucesso e o papel nacional de uma grande televisão, assistida por todos os meios sociais, e que pela diversidade de seus programas constitui um poderoso fator de integração social.(WOLTON, 1996) Para entender o papel que a televisão desempenha em nossa sociedade, propomos um movimento de aproximação entre Comunicação, Educação e Cultura, que leve educadores e profissionais ligados à comunicação educativa a pensar a televisão como referência para a construção de uma nova ética e como produtora de uma estética ainda muito pouco percebida. No intento de levar este propósito adiante, escolhemos um programa da REDETV! que é hoje fenômeno de audiência no Brasil e surpreende até mesmo experientes profissionais de televisão, para análise e reflexão: o Pânico na TV! O programa tem a duração de 90 minutos e vai ao ar às 18 h do domingo, com reprise às sextas-feiras (23h00). Alguns quadros são fixos e outros surgem a cada semana. Além da criatividade e espontaneidade dos apresentadores e de um cenário caótico, o programa surpreende pelo humor inteligente, mas politicamente incorreto e tolerado pelos telespectadores. Sátiras, trotes, comentários de notícias, matérias fora do estúdio como invasões em festas ou abordagens de pessoas nas ruas, são algumas estratégias do programa. Imagens do programa que vai ao ar diariamente pela rádio Jovem Pan também sãousadas na televisão. Ao nosso ver, o sucesso do programa Pânico na TV! é expressão de uma sociedade fundada na oralidade e na imagem, e não no discurso do conhecimento e na racionalidade.A apreensão do conhecimento pela imagem e sua transmissão oral dão origem, pois, a um tipo de intersubjetividade diferente daquela fundada no discurso e na razão. Tanto no campo da informação como no campo da publicidade e do entretenimento, os efeitos socializadores da televisão podem ser mais bem entendidos a partir da lógica das emoções, dos mecanismos do inconsciente e das comunicações inadvertidas. (FERRÉS, 1998) Esta seria a chave para a compreensão do fenômeno da televisão brasileira. E esses são os aspectos que pretendemos discutir nesse debate sobre a qualidade da TV que queremos.

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Document information

Published on 30/09/05
Accepted on 30/09/05
Submitted on 30/09/05

Volume 13, Issue 2, 2005
DOI: 10.3916/25830
Licence: CC BY-NC-SA license

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